J. L. Fenaio

Eu canto porque o instante existe

Pito Críptico II

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A propósito da mensagem abaixo, e no bem da informação pública, eu cito o seguinte trecho da notícia a que me referi, que faz notável contraste com o que afirmou tão peremptoriamente Paulo Henrique Amorim:

The agents seized the laptop, and a Vermont Department of Corrections investigator copied its contents. But the investigator could not get access to the drive Z content because it was protected by Pretty Good Privacy, a form of encryption software used by intelligence agencies in the United States and around the world that is widely available online. PGP, like all encryption algorithms, requires a password for decryption.

For more than a year, the government has been unable to view drive Z.

A government computer forensics expert testified that it is “nearly impossible” to access the files without the password, the judge wrote. “There are no ‘back doors’ or secret entrances to access the files,” he wrote. “The only way to get access without the password is to use an automated system which repeatedly guesses passwords. According to the government, the process to unlock drive Z could take years…”

E ainda traduzo:

Os agentes apreenderam o laptop, e um investigador do Departamento Prisional de Vermont copiou o seu conteúdo. Mas o investigador não conseguiu acesso ao conteúdo do drive Z porque estava protegido por Pretty Good Privacy [que eu traduziria idiomaticamente como "privacidade que dá para o gasto", um evidente eufemismo], um programa de criptografia usado por agências de inteligência nos Estados Unidos e ao redor do mundo, que está disponível online. PGP, como qualquer algoritmo de criptografia, requer uma senha para decriptar.

Por mais de um ano, o governo tem sido incapaz de acessar o drive Z.

De acordo com o juiz, um especialista em perícia forense de computadores testemunhou que é “praticamente impossível” ter acesso aos arquivos sem a senha. “Não há atalhos ou entradas secretas para os arquivos”, ele escreveu. “A única forma de conseguir acesso sem a senha é empregar um sistema automatizado que tente várias senhas seguidamente [é o que a literatura chama de "ataque de dicionário"]. De acordo com o governo, o processo de decodificar o drive Z poderia levar anos…”

É interessante observar a gravidade da acusação que envolve o americano, e mesmo assim a polícia e a promotoria serem incapazes de decifrar a prova crucial, e mesmo assim se discutir na justiça o direito de o réu se abster de fornecer a chave criptográfica. Os fatos e o raciocínio cabem ao caso brasileiro: o peso da acusação, a incapacidade legítima do poder público em obter as provas, e os desdobramentos jurídicos, já que se falou em emitir ordem judicial à empresa americana produtora do programa de criptografia (que a Folha de São Paulo não nomeia).

O próximo capítulo do imbroglio será descobrirem que a empresa não colaborará: porque o algoritmo criptográfico é matematicamente projetado para permitir a decriptação apenas por meio da chave, que é criada pelo usuário e não pela empresa.

Escrito por Leão Fenaio

29/setembro/2008 às 22:10

Publicado em Uncategorized

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