J. L. Fenaio

Eu canto porque o instante existe

Contratempos da música digital

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A música digital trouxe versatilidade aos ouvintes, que podem guardar acervos completos no computador, transmiti-los a outras pessoas, e comprimi-los com comprometimento de qualidade variável a fim de preencher um tocador portátil com ótimo aproveitamento do espaço.

Por outro lado, as gravadores têm lidado mal com tanta versatilidade. Não digo por enquanto do pânico lamuriento delas diante do fenômeno da troca de arquivos pela internet.

Refiro-me aqui a essa iniciativa de oferecer música em cartões de memória, cuja proposta é boa, mas que peca por se restringir a MP3 de 320kbps.

É como se temessem dar aos seus consumidores a música em qualidade completa, em codificação ou compressão sem perda, como o fizeram durante anos com o CD.

Os cartõezinhos já não trarão proteção anti-cópia —o famigerado DRM— cuja função parece ser a de fazer sua aquisição musical virar pó e fumaça virtuais. Daí que empregar o lossless lhes seria, às gravadoras, intolerável, como entregar o ouro ao bandido.

(Isso me lembra a história que ouvi de que durante o lançamento do CD, com suas promessas baseadas no casamento das tecnologias óptica e digital, um único empresário do ramo havia advertido aos demais que aquilo seria o mesmo que entregar os discos-mestres aos consumidores, uma vez que o novo suporte tinha fidelidade de reprodução e não deteriorava com o tempo.)

Algumas pessoas estranharam o emprego de cartões de memória, e acharam que nenhum meio físico fizesse frente ao download.

Discordo; o objeto físico é sempre bem-vindo, pois é uma comodidade na forma de cópia de segurança. Se vou pagar, aprecio ter algo concreto em que tocar, e que guardar. Quem diz que baixar música pela internet sai de graça, é porque não baixou o bastante para se sentir forçado a investir em mais e mais armazenamento. Essa nova fase da música digital está criando um custo extra para os ouvintes.

O cartão é bem-vindo, eu dizia, embora prefira manter o velho CD, que já está no mercado há duas décadas, e ainda serve perfeitamente, em vez de adotar novo formato que desaparecerá em poucos anos, em troca do substituto da temporada.

Só não posso aceitar algo inferior ao som digitalizado dos CDs. Quanto aos MP3s que vão nos iPods, qualquer iTunes os gera facilmente.

Escrito por Leão Fenaio

29/setembro/2008 às 2:09

Publicado em Uncategorized

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